Calor extremo ameaça a saúde dos trabalhadores dos Correios, e empresa está entre as mais denunciadas no MPT

Notícia publicada dia 22/02/2025 14:38

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O Ministério Público do Trabalho (MPT) tem registrado um aumento alarmante de denúncias sobre as condições insalubres enfrentadas por trabalhadores expostos ao calor extremo. Entre as categorias mais afetadas estão os trabalhadores da agricultura, da construção civil e dos Correios, que enfrentam jornadas escaldantes sob temperaturas que beiram os 40 graus. Além disso, enfrentam um asfalto quente que supera os 60 graus, agravando ainda mais os riscos para a saúde. Diante dessa realidade, o SINTECT-SP cobra mudanças urgentes para proteger a saúde.

A exposição ao calor excessivo tornou-se um problema grave de saúde pública, e os Correios mantêm uma postura de negligência semelhante à de gestões anteriores, o que é inaceitável. Com longas jornadas sob o sol escaldante e condições mínimas de proteção, esses trabalhadores enfrentam riscos diários de exaustão térmica e problemas de saúde.

Os dados do MPT revelam a gravidade da situação: entre 2022 e 2024, as denúncias sobre calor extremo quase quintuplicaram. Em 2022, foram registradas 154 queixas. Em 2023, esse número saltou para 621, e, em 2024, chegou a 741. O início de 2025 já aponta para um cenário ainda mais crítico: até 18 de fevereiro, 194 denúncias foram registradas — superando, em menos de dois meses, o total de 2022.

De acordo com a procuradora Cirlene Zimmermann, da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Codemat), os carteiros estão entre os mais afetados, assim como os trabalhadores da agricultura, da construção civil e do setor de serviços. “Esses profissionais passam horas expostos ao sol intenso sem a proteção adequada, o que traz riscos sérios à saúde”, alerta a procuradora.

Carteiros sofrem com exaustão térmica e adoecimento

O impacto do calor excessivo na rotina dos carteiros é evidente. Relatos de desmaios, tonturas, náuseas e até internações por exaustão térmica tornaram-se frequentes.

“Temos recebido diversas queixas de trabalhadores que passam mal durante a jornada. O calor extremo está colocando vidas em risco”, denuncia Silvana Azeredo, secretária de Saúde da FINDECT.

Entre os principais problemas enfrentados estão:

Exposição prolongada ao sol, sem áreas adequadas para descanso;

Falta de hidratação, devido à dificuldade de acesso a água fresca;

Uniformes inadequados, que retêm calor e dificultam a transpiração;

Casos recorrentes de mal-estar, incluindo dores de cabeça, desidratação e queimaduras solares;

O impacto do asfalto superaquecido, que ultrapassa 60 graus, agravando o desgaste físico dos trabalhadores.

“Há trabalhadores sendo socorridos pelos próprios colegas após passarem mal. A empresa não pode ignorar essa situação”, afirma Silvana Azeredo.

Sindicato pressiona por mudanças na jornada

Diante do agravamento da crise, o SINTECT-SP tem cobrado medidas urgentes da empresa. Nesta semana, a entidade denunciou a situação no Jornal da Record, exigindo a inversão do horário de entrega, priorizando os períodos mais frescos do dia para evitar a exposição ao calor extremo.

“Essa mudança é essencial para preservar a saúde dos carteiros. O mundo inteiro já reconhece os riscos das altas temperaturas, e os Correios precisam se adaptar”, reforça Douglas Melo.

Medidas urgentes são necessárias

Além da reorganização dos horários, especialistas e sindicatos apontam outras ações fundamentais para proteger os trabalhadores:

Pausas programadas em locais sombreados e ventilados;

Distribuição de água fresca durante toda a jornada;

Uniformes mais leves, com proteção UV e tecidos respiráveis para reduzir o impacto do calor;

Treinamento sobre exaustão térmica, para que os trabalhadores saibam identificar sinais de perigo.

Com recordes de temperatura a cada ano, fica claro que o problema não é passageiro. O calor extremo veio para ficar, e medidas concretas precisam ser adotadas com urgência.

No caso dos trabalhadores dos Correios, a mobilização tem sido fundamental para cobrar providências. “Não podemos esperar por tragédias para que algo seja feito”, alerta Silvana Azeredo.

O aumento exponencial de denúncias ao MPT mostra que a situação chegou ao limite. Agora, cabe aos Correios, agir para garantir condições dignas de trabalho e preservar a saúde dos trabalhadores.

Fonte: G1

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